Edson Rigonatti e a tese AI-First: por que quase todo mundo está construindo a empresa errada

Quase todas as empresas vão usar IA nos próximos dois anos, e é exatamente aí que a maioria vai construir a empresa errada com capital novo.

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Edson Rigonatti e a tese AI-First: por que quase todo mundo está construindo a empresa errada

A TESE

AI-First não é decisão de tecnologia, é decisão de economia unitária, o custo real de produzir cada unidade do que você vende. Quando um agente entrega por centavos o que antes exigia um time inteiro, a estrutura de custo da empresa muda, e com ela o produto, a venda e a operação. Edson Rigonatti, sócio da gestora de venture capital brasileira Astella, está certo no ponto central: quem trata isso como adoção de ferramenta vai construir a empresa errada com capital novo.

O QUE A MAIORIA ESTÁ ERRANDO

A maioria das empresas leu AI-First como colocar um copiloto em cima do que já existe. Mantêm o mesmo organograma, a mesma lógica de margem, os mesmos processos, e acoplam um assistente na ponta. O resultado é cosmético: a foto melhora, a economia da operação continua idêntica.

O erro está em confundir produtividade com reestruturação. Um atendimento que ficou 20% mais rápido ainda carrega o custo fixo do time que existia para um mundo sem agentes. A conta não fecha de forma diferente, ela apenas fica um pouco menos pesada.

Rigonatti aponta para o lugar que quase ninguém quer olhar: governança. Controles incompletos, risco trabalhista mal endereçado, contratação como PJ onde deveria ser CLT, auditoria empurrada para depois. Empresa que reorganiza a operação em torno de agentes e ignora isso está trocando margem de curto prazo por passivo de médio prazo. O barato custa caro quando o jurídico bloqueia ou o fiscal aparece com a autuação na mão.

O QUE OS MELHORES ESTÃO FAZENDO

Quem está à frente não pergunta onde encaixar IA, pergunta como seria esta empresa se nascesse hoje, com agentes no centro. A diferença é estrutural, não incremental.

Eles repensam a delegação primeiro. Em vez de manter a hierarquia e adicionar IA por baixo, redesenham quem decide o quê: o que o agente resolve sozinho, o que escala para humano, onde fica o ponto de auditoria. Os serviços de implantação, que costumavam ser custo de margem negativa, viram produto com economia própria.

E tratam governança como fundação, não como remendo. Definem antes da escala quem responde quando o agente erra, como o registro fica auditável, qual contratação suporta o modelo sem virar passivo. A leitura de Rigonatti em sua série AI-First no LinkedIn é clara: o nível de exigência de governança sobe junto com a automação, não depois dela. Quem constrói nessa ordem ganha velocidade real, porque não precisa parar para consertar a fundação no meio da escala.

MINHA VISÃO

Nos próximos dois anos, a separação entre SaaS e AI-First vai ficar óbvia no P&L, não no pitch deck. Empresas AI-First de verdade vão operar como sistemas de engenharia de margem, onde cada chamada de modelo é contada e cada workflow é classificado como rail de eficiência ou rail de captura de valor. O produto não vive mais isolado; vive dentro de um grafo de modelos, agentes, APIs, dados e transações, e quem controla as conexões controla o workflow do cliente.

A captura de valor continua concentrada nos seis sistemas que Rigonatti mapeia: registro, workflow, comunicação, transação, inteligência e integração. Ter um agente não é suficiente; a pergunta é qual sistema crítico você controla e se consegue transformar campo em produto antes que o serviço coma a margem. Categorias inteiras vão nascer porque algum founder decidiu que uma job description específica deveria virar software autônomo. Quem continuar pensando em licença, usuário e feature vai descobrir que vendeu automação sem estrutura, e o custo de inferência vai virar o pepino que derruba a casa.

A PERGUNTA QUE EU DEIXO

Se sua empresa nascesse hoje, com agentes no centro da operação, quanta gente e quanto processo do que você tem agora sobreviveria à primeira revisão honesta?


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