Governança de dados está ficando obsoleta: agentes exigem governança de conhecimento

Agentes não precisam de mais dados. Precisam que você governe o conhecimento para agir sozinhos.

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Governança de dados está ficando obsoleta: agentes exigem governança de conhecimento

A TESE

A governança tradicional de dados está ficando obsoleta. Fernando Mitkiewicz, diretor de TI da ANAC, argumenta que agentes de IA não se contentam com respostas: eles precisam agir. Isso exige uma mudança estrutural, deixar de gerenciar tabelas e campos para governar o conhecimento que permite decisão e execução. Quem não fizer essa transição terá agentes sofisticados operando sobre um alicerce que não sustenta ação.

O QUE A MAIORIA ESTÁ ERRANDO

A maioria das empresas ainda trata IA como BI com esteroides. Montam data lakes, catalogam tabelas, investem em qualidade de dados e acham que isso basta. Não basta. Dados organizados respondem perguntas; conhecimento contextualizado permite ação. Mitkiewicz aponta exatamente isso: agentes precisam saber o que fazer, não apenas consultar registros.

O erro está em achar que governança se resume a controle de acesso e dicionário de dados. Na prática, isso deixa o agente órfão: ele acessa o repositório, mas não entende a lógica de negócio, os critérios de decisão humanos ou as exceções que nunca foram documentadas. O resultado é automação rasa que exige intervenção constante, exatamente o oposto do que agentes prometem.

Pior: quanto mais sofisticado o modelo, mais visível fica a ausência de contexto. Um agente com janela enorme ainda erra se não souber que, no seu negócio, determinado cliente tem prioridade mesmo quando a regra escrita diz o contrário. Empresas gastam milhões em infraestrutura e esquecem que conhecimento tácito não migra sozinho para vector database. O gap não é técnico, é epistêmico: falta uma teoria do conhecimento da empresa.

O QUE OS MELHORES ESTÃO FAZENDO

As empresas que estão à frente mapeiam fluxos de decisão, não apenas pipelines de dados. Documentam o raciocínio por trás de regras de negócio, criam ontologias que conectam dados a contexto operacional e tratam conhecimento tácito como ativo explícito. A posição da ANAC, liderada por Mitkiewicz, sinaliza que até instituições reguladoras estão virando a chave.

O que separa o bom do excelente não é o volume de dados, mas a capacidade de transformar experiência em estrutura que um agente consuma sem supervisão constante. Isso inclui registrar por que certas decisões foram tomadas, quais exceções prevalecem e como priorizar quando regras conflitam. O avanço real não está em mais camadas de segurança, mas em padrões que permitam a um agente tomar uma decisão de R$ 50 mil sem pedir permissão porque ele realmente sabe o que está fazendo.

Essas organizações criam ciclos de feedback onde o erro do agente alimenta a base de conhecimento, não apenas um ticket de correção. Conhecimento vira produto operacional, não documentação estática.

MINHA VISÃO

Nos próximos anos, a diferença entre empresas que escalam agentes e as que ficam presas em piloto eterno será exatamente essa capacidade de governar conhecimento. Tecnologia não é o gargalo; é a ausência de um corpo organizacional que valide, atualize e dispute o que a empresa realmente sabe.

Quem já viveu a frustração de um projeto de BI sabe que a parte dura nunca foi apenas escrever a query. A parte dura foi fazer áreas concordarem sobre o significado de um número. Com agentes, esse problema se multiplica e a clareza passa a ser exigida semanalmente, não anualmente.

Minha aposta é que surgirão funções novas, algo entre chief data officer e chief learning officer, responsáveis por manter o conhecimento vivo e testar sua validade contra resultados reais. A empresa que não criar esse músculo vai continuar comprando modelo caro e alimentando com receita de bolo. O custo de oportunidade não será a infraestrutura: será a velocidade com que competidores mais organizados tomam decisão sem reunião de alinhamento.

A PERGUNTA QUE EU DEIXO

Se você desligasse o e-mail e o Slack da sua operação hoje, quanto do conhecimento essencial um agente conseguiria reconstruir sozinho até amanhã de manhã? E o que isso diz sobre o que você realmente governa?


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