Banco Central: 26,7% das instituições pesquisadas usam modelos de IA
Entre 606 instituições reguladas pesquisadas pelo Banco Central, 26,7% usam modelos de IA em soluções de tecnologia. Nas que usam IA, 71,6% recorrem a soluções desenvolvidas por terceiros, sinalizando dependência de fornecedores.
Sobre o estudo
- Publicador: Banco Central do Brasil
- Quem fez a pesquisa: Banco Central do Brasil
- Publicação: novembro de 2025
- Amostra: 606 instituições reguladas, cerca de 38% das autorizadas e 96% dos ativos do sistema financeiro na data-base indicada
- Período de coleta: fevereiro a março de 2025
- Método: pesquisa do Banco Central com instituições reguladas; resultados apresentados por segmento e por subconjuntos de respondentes
- Recorte: Brasil
Resultados
Adoção concentrada em alguns segmentos
- Entre 606 instituições reguladas que participaram da pesquisa, 26,7% declararam usar modelos de IA em soluções e serviços de tecnologia. A maioria, 73,3%, informou ausência desse uso na atividade consultada.
- Os bancos dos segmentos S1 e S2 tiveram 100% de respostas afirmativas nos grupos pesquisados. A presença diminui nos segmentos S3 e S4, mostrando diferenças dentro do próprio conjunto de bancos.
- Entre os bancos S3 pesquisados, 57% empregam modelos de IA; entre os S4, 26%. O Banco Central associa a variação a diferentes condições de maturidade tecnológica, investimento e disposição para uso.
- Nas cooperativas de crédito pesquisadas, o percentual afirmativo foi de 5%. Entre instituições de pagamento, 38% responderam que empregam modelos de IA em soluções de tecnologia.
Fornecedores e tipos de modelo
- Das 162 instituições que responderam ao detalhamento do uso de IA, 71,6% utilizam soluções desenvolvidas por prestadores de serviço. O dado descreve dependência de fornecedores externos entre instituições usuárias.
- Desenvolvimento pela área interna de tecnologia apareceu em 63,0% das respostas desse grupo. As áreas de negócio foram citadas por 38,3%, em uma questão que permitia indicar mais de uma origem dos modelos.
- IA generativa foi a abordagem mais comum entre as instituições que usam modelos, citada por 62,3%. Métodos estatísticos vieram em seguida, com 58,0%, e aprendizado supervisionado, com 50,6%.
- Processamento de linguagem natural registrou 45,7% e algoritmos de busca e otimização, 42,6%. O Banco Central observa que a adoção de técnicas mais complexas ocorre em estágio distinto das abordagens mais difundidas.
Usos práticos e benefícios relatados
- Chatbots para relacionamento com clientes apareceram em 53,1% das instituições usuárias de IA. Análise de documentos, atividade operacional interna, veio logo depois, com 51,9%.
- Monitoramento para detecção e prevenção de fraudes registrou 38,9%. O relatório também lista monitoramento de transações e avaliação de risco de crédito entre as aplicações em processos centrais.
- Aumento de eficiência foi benefício observado por 95,7% das instituições usuárias que responderam ao item. Redução de custos apareceu com 73,5%, e melhoria da tomada de decisão, com 72,2%.
- As vantagens são percepções das instituições pesquisadas sobre seu próprio uso da tecnologia. O Banco Central relata concentração em processos internos e atendimento, com presença menor em investimento e consultoria financeira.
Gestão de riscos e segurança
- Entre as instituições usuárias, 42,6% informaram processos ou procedimentos complementares para administrar riscos de IA. A parcela restante, 57,4%, respondeu que ainda estava sem essas práticas específicas.
- Risco legal ou de conformidade foi citado por 66,0%, seguido por risco operacional, com 65,4%. Má qualidade de dados apareceu com 64,8%, compondo o conjunto de preocupações declaradas pelas instituições.
- Na segurança das soluções de IA, 43,8% declararam procedimentos complementares específicos. Entre as que relataram tais atividades, 71,8% citaram controles de segurança dedicados às soluções.
- Monitoramento contínuo de desempenho foi informado por 67,3% das instituições usuárias de IA. Validação da qualidade de dados apareceu com 58,6%, e implementação de testes, com 56,8%.
Obstáculos e formalização de políticas
- Necessidade de treinamento especializado foi o obstáculo mais citado pelas instituições usuárias, com 67,9%. Custos de implementação vieram com 55,6%, seguidos de falta de dados de qualidade, com 35,8%.
- Entre as instituições que usam IA, 24,1% declararam ter política e procedimentos formalizados. Outros 43,8% planejavam formalizar, enquanto 25,9% afirmaram estar nesse processo.
- Sobre contratação de modelos externos, 48,3% das instituições usuárias disseram aplicar os mesmos requisitos usados para serviços de nuvem. Requisitos específicos para IA, somados aos de nuvem, apareceram em 27,6%.
- O relatório registra 58,6% das instituições usuárias com modelos já em produção. Outras 29,6% estavam em projetos piloto com intenção de implantar modelos em operação.
Limites
- A pesquisa reuniu 606 instituições, cerca de 38% das autorizadas a funcionar, embora elas representassem 96% dos ativos do sistema na data-base. A cobertura por quantidade e por ativos descreve universos distintos.
- Muitos percentuais detalhados se referem apenas às 162 instituições que declararam usar IA, e algumas questões receberam respostas de grupos ainda menores. A leitura exige observar a base indicada em cada gráfico.
- Benefícios, obstáculos e riscos são relatados pelas próprias instituições. O texto identifica práticas e percepções para subsidiar futuras ações regulatórias, sem apresentar avaliação externa de desempenho dos modelos.
Estudo completo
Resumo produzido pelo TheAgent a partir do relatório original. Os números e achados pertencem ao publicador; consulte o estudo completo para os detalhes e a metodologia.
