Edelman: confiança na IA cai 20 pontos com ressentimento alto
No Brasil, 64% carregam ressentimento moderado ou maior contra empresas, governo e ricos. Com ressentimento alto, a confiança na IA cai 20 pontos e a confiança nos CEOs cai 24 pontos.
Sobre o estudo
- Publicador: Edelman
- Quem fez a pesquisa: Edelman Trust Institute
- Publicação: março de 2025
- Amostra: cerca de 1.150 entrevistados por país, com mais de 33.000 no total, em 28 países
- Período de coleta: 25 de outubro a 16 de novembro de 2024
- Método: sondagem online anual, em seu 25º ano
- Recorte: global com Brasil
Resultados
Ressentimento
- No Brasil, 64% da população carrega ressentimento moderado ou maior contra empresas, governo e ricos.
- No conjunto de 26 países, 61% carregam ressentimento moderado ou maior, com maioria em 23 dos 26 países.
- O ressentimento se apoia em percepções de que empresas e governo atendem a um grupo seleto, de que suas ações prejudicam as pessoas e de que o sistema favorece os ricos.
- Cerca de 67% concordam que o egoísmo dos ricos causa muitos dos problemas do país.
- Cerca de 62% concordam que os ricos pagam menos impostos do que deveriam.
- Com ressentimento alto, a propensão à mentalidade de soma zero é duas vezes maior do que com ressentimento baixo.
Confiança na IA e na tecnologia
- Com ressentimento alto, a confiança na inteligência artificial no Brasil cai 20 pontos em relação ao ressentimento baixo.
- A parcela que se sente confortável com o uso de IA por empresas cai 18 pontos quando o ressentimento é alto.
- A confiança na IA vai de 58 entre os de ressentimento baixo para 53 no nível moderado e 38 no alto.
- O conforto com o uso de IA por empresas vai de 52 no nível baixo para 52 no moderado e 34 no alto.
- No conjunto global, o padrão se repete: a confiança na IA cai 22 pontos e o conforto com o uso por empresas cai 21 pontos com ressentimento alto.
- A conclusão é que quanto maior o ressentimento, maior a suspeita em relação à inteligência artificial.
Confiança nas instituições
- O Índice de Confiança do Brasil ficou em 51 em 2025, abaixo dos 53 registrados em 2024, em uma faixa de neutralidade.
- A média global ficou em 56 nos dois anos, com o Brasil entre os países de confiança neutra.
- No Brasil, apenas as empresas são vistas como competentes e éticas ao mesmo tempo.
- A ética das empresas no Brasil subiu 22 pontos desde 2020.
- Com ressentimento alto, as empresas são consideradas 76 pontos menos éticas e 29 pontos menos competentes.
- No grupo global, com ressentimento alto, as empresas são vistas como 81 pontos menos éticas e 37 pontos menos competentes.
Lideranças
- Com ressentimento alto no Brasil, a confiança em líderes empresariais cai de forma acentuada.
- A confiança no próprio CEO entre empregados vai de 75 no nível baixo para 71 no moderado e 56 no alto, queda de 19 pontos.
- A confiança nos CEOs em geral vai de 65 no nível baixo para 53 no moderado e 41 no alto, queda de 24 pontos.
- Entre 2021 e 2025, cresceu no Brasil o receio de que líderes estejam enganando as pessoas de propósito.
- Autoridades governamentais, líderes empresariais e jornalistas aparecem nessa desconfiança.
- No conjunto global, o receio de que líderes mintam atingiu o maior nível da história.
Trabalho e segurança no emprego
- Entre os empregados brasileiros, 66% se preocupam com uma recessão iminente e 60% com a automação como ameaça à segurança no emprego.
- Cerca de 67% se preocupam com conflitos comerciais internacionais, e 58% com concorrentes estrangeiros.
- Cerca de 58% citam a falta de qualificação, e 53% apontam a realocação de vagas no exterior.
- Houve queda na confiança global no empregador: o índice passou de 78 em 2018 para 75 em 2025.
- A renda baixa segue mergulhada na desconfiança, com diferença relevante de confiança entre os 25% superiores e os 25% inferiores de renda.
- No Brasil, a diferença de confiança entre renda alta e renda baixa chega a 21 pontos em algumas instituições.
Expectativas sobre as empresas
- Para garantir um futuro melhor, as empresas têm obrigação de oferecer trabalhos bem remunerados nas comunidades locais, segundo 81% dos brasileiros.
- Cerca de 85% acreditam que as empresas devem treinar ou requalificar os empregados para que sejam competitivos.
- O ressentimento gera exigência de mais ação das empresas em temas como custo de vida, mudanças climáticas e desinformação.
- CEOs têm permissão para agir quando podem fazer a diferença e melhorar o desempenho: 85% no nível de ressentimento moderado.
- Entre os jovens adultos, 4 em cada 10 aprovam o ativismo hostil como meio viável de promover mudanças.
Limites
- A pesquisa foi realizada pelo Edelman Trust Institute, que é proprietário de todo o conteúdo do relatório.
- A amostra chega a mais de 33.000 entrevistados em 28 países, com cerca de 1.150 por país e representatividade de idade, gênero, região e etnia.
- Os dados do Brasil integram a análise global, sem seção própria dedicada apenas ao mercado brasileiro.
- As questões foram resumidas no relatório para facilitar a leitura, e o texto integral está no apêndice técnico.
Estudo completo
Resumo produzido pelo TheAgent a partir do relatório original. Os números e achados pertencem ao publicador; consulte o estudo completo para os detalhes e a metodologia.
