EY: 61% dos CEOs esperam custos operacionais maiores em 2026
Pesquisa com 1.200 CEOs em 21 países mostra confiança no crescimento interno: cerca de nove em cada dez esperam avanço em receita, lucro e produtividade, enquanto 78% relatam que as iniciativas de IA atenderam ou superaram as expectativas.
Sobre o estudo
- Publicador: EY (EY-Parthenon)
- Quem fez a pesquisa: FT Longitude, divisão de pesquisa e marketing de conteúdo do Financial Times Group, para a organização global EY
- Publicação: janeiro de 2026
- Amostra: 1.200 CEOs de grandes empresas em 21 países (Brasil incluído) e cinco setores
- Período de coleta: novembro e dezembro de 2025
- Método: questionário online anônimo, com CEOs avaliando 15 afirmações em escala de 5 pontos para compor o CEO Confidence Index
- Recorte: global com Brasil
Resultados
Confiança e pressão de custos
- A confiança geral dos CEOs recuou de 83,0 para 78,5, com as maiores preocupações voltadas ao crescimento da economia global.
- A expectativa da própria EY-Parthenon é de que o crescimento do PIB global desacelere de 3,3% em 2025 para 3,1% em 2026.
- 61% dos CEOs esperam custos operacionais mais altos em 2026, contra 16% que projetam redução; para 19% haverá aumento significativo e para 42%, aumento.
- A leitura da EY-Parthenon é de mudança estrutural, com insumos como trabalho, energia, tecnologia, conformidade regulatória e financiamento em patamares elevados.
- A confiança na capacidade de repassar custos ao cliente enfraqueceu: os "muito otimistas" caíram de 37% em setembro de 2025 para 26% em janeiro de 2026, e os "muito pessimistas" passaram de 1% para 2%.
- Em custo de insumos e de fazer negócios, os "muito otimistas" recuaram de 36% para 13%, enquanto a faixa neutra subiu de 7% para 28%.
- Talentos e tecnologia seguem como as âncoras de confiança: 41% estão muito otimistas com atrair e reter talentos e 47% com investimento em tecnologias emergentes.
Crescimento esperado para 2026
- Cerca de nove em cada dez CEOs projetam crescimento em receita, lucratividade e produtividade no ano.
- Na receita, 23% esperam aumento significativo e 68% aumento; na lucratividade, 20% e 67%; na produtividade, 39% e 51%.
- O contraste entre confiança na própria empresa e cautela com a economia global reflete a aposta em crescimento gerado internamente, via preço, diferenciação de cliente, portfólio e transformação digital.
- A produtividade aparece como o principal contrapeso à inflação de custos, com tecnologia, automação e redesenho orientado por dados no centro da equação.
Transformação em escala
- 97% das empresas estão em meio a uma transformação relevante ou prestes a iniciar uma.
- 52% dos CEOs dizem estar no meio de uma iniciativa de transformação ampla e 45% planejam começar em 2026.
- Entre os objetivos da transformação, 43% citam otimizar operações e ganhar produtividade, incluindo digitalização; 40% priorizam engajamento e retenção de clientes.
- Inovação de produtos e processos aparece para 37% dos CEOs e aceleração do crescimento de receita para 36%.
- Corte de custos e captura de economias é prioridade para 30%, engajamento e retenção de funcionários para 26%, metas de sustentabilidade para 26% e reinvenção radical do modelo de negócio para 26%.
IA: da experimentação à escala
- 78% dos CEOs relatam que as iniciativas de IA superaram as expectativas: 20% muito acima e 58% um pouco acima; 19% ficaram em linha e 1% abaixo.
- A EY-Parthenon aponta que o maior valor tende a se concentrar nos 20% de organizações cujos investimentos em IA entregam retorno significativamente acima do esperado.
- A expectativa de impacto supera a experiência: 32% preveem efeito de reinvenção da IA sobre o modelo de negócio nos próximos dois anos e 58% esperam impacto significativo.
- Na lista de tecnologias de reinvenção, a IA generativa lidera com 54% das escolhas, seguida por machine learning (45%), IA agêntica (37%), IA física (30%) e processamento de linguagem natural (27%).
- A leitura do relatório é de migração de casos isolados para sistemas integrados, com prioridade em aprofundar o que já funciona em vez de ampliar o número de pilotos.
Geopolítica e decisões de investimento
- 83% dos CEOs ajustaram seus planos de investimento estratégico nos últimos 12 meses por causa de geopolítica e política comercial.
- Entre eles, 40% aceleraram um investimento planejado, 31% adiaram, 22% entraram em um novo mercado geográfico e 22% trocaram fornecedores de região.
- Outros movimentos incluem realocar ativos operacionais para outro mercado (17%) e sair de um mercado (17%); 10% interromperam um investimento planejado.
- As cinco estratégias apontadas para navegar o ambiente fragmentado são investir em IA e tecnologias digitais, melhorar a gestão de risco geopolítico, gerir custos com eficácia, diversificar cadeias de suprimento e aprofundar parcerias estratégicas.
- A restrição à exportação de modelos avançados e de recursos de nuvem aparece como fator que redesenha estratégias e desacelera a difusão de inovação.
Fusões, aquisições e alianças
- 53% dos CEOs pretendem fazer aquisições nos próximos 12 meses, com objetivos alinhados à agenda de transformação.
- Otimizar operações e ganhar produtividade é o principal objetivo de aquisição para 50% dos CEOs, acima dos 43% que citam o mesmo alvo nos programas de transformação.
- Acelerar o crescimento de receita é objetivo de aquisição para 45%, contra 36% na transformação.
- Reduzir custos e capturar economias aparece para 36% nas aquisições e 30% na transformação; engajamento e retenção de clientes, para 39% e 40% respectivamente.
- 79% dos CEOs planejam joint ventures e alianças estratégicas em 2026, acima dos 62% registrados em 2025.
- O volume global de negócios acima de US$5 bilhões chegou a 164 em 2025, ante 101 em 2024; o valor total de transações somou US$4,6 trilhões em 2025, comparado a US$3,3 trilhões em 2024.
- Nos negócios transfronteiriços, os EUA concentraram 30% do valor e 17% do volume em 2025, com queda em ambas as fatias frente a 2024 e recuo expressivo do valor desde 2016, quando respondiam por 38%.
- O Brasil aparece entre as cinco prioridades de investimento de capital para os próximos 12 meses em um dos mercados analisados, ao lado de EUA, Canadá, México e Reino Unido.
Prioridades recomendadas pela EY-Parthenon
- Disciplina de custos com investimentos que elevem produtividade, com a IA no centro desse esforço.
- Precificação mais precisa, apoiada em conhecimento do cliente, para proteger margens em um ambiente de menor poder de repasse.
- Migração mais rápida para organizações baseadas em competências, com equipes preparadas para escalar novas tecnologias e absorver volatilidade macroeconômica e geopolítica.
- Adotar a IA como pilar estratégico de vários anos, embutido em alocação de capital, planejamento de força de trabalho e desenho do modelo operacional.
- Usar fusões e aquisições como acelerador da transformação, com integração encarada como motor de valor desde a fase de diligência.
Limites
- A pesquisa foi conduzida pela FT Longitude a pedido da organização global EY, que também assina a análise dos resultados divulgados.
- O relatório informa o total de 1.200 CEOs, a distribuição por porte de receita e a presença de 21 países e cinco setores, sem detalhar a quantidade de respondentes por país ou por setor.
- Os recortes regionais aparecem em parte das tabelas como Américas, Ásia-Pacífico e Europa, o que agrega o Brasil a um bloco e limita a leitura isolada do mercado brasileiro.
- Parte dos dados apresentados sobre transações vem de análise própria da EY com base na Dealogic, enquanto a pesquisa com os CEOs é a fonte de outra parte.
Estudo completo
Resumo produzido pelo TheAgent a partir do relatório original. Os números e achados pertencem ao publicador; consulte o estudo completo para os detalhes e a metodologia.
