Ipea: 33.38% das empresas com área de TI da amostra usavam IA
Na amostra brasileira com área de TI, 33.38% das empresas usavam IA. A internet das coisas apresentou razão de chances de 2.58 para a adoção. O artigo também situa o Brasil na produção científica internacional.
Sobre o estudo
- Publicador: artigo na revista EconomiA, apoiado pelo Ipea
- Quem fez a pesquisa: Maurício Benedeti Rosa e Luis Claudio Kubota
- Publicação: 2025, embora a ficha do acervo registre 2024
- Amostra: 2,328 empresas brasileiras com área de TI, de 4,064 entrevistadas na TIC Empresas
- Período de coleta: agosto de 2021 a abril de 2022
- Método: análise bibliométrica pela plataforma OECD.AI e modelo estatístico logit com dados empresariais
- Recorte: produção científica internacional e adoção de IA em empresas brasileiras
Resultados
Produção científica brasileira no cenário internacional
- A análise de publicações científicas de 2010 a 2022 coloca China e Estados Unidos na dianteira do volume de trabalhos em IA. O Brasil aparece em um grupo posterior, junto de países como Países Baixos, Rússia, Indonésia e Irlanda.
- O indicador de produção usa dados da plataforma OECD.AI e considera a participação dos autores por país. Cada coautor recebe uma fração do artigo, conforme sua afiliação institucional, para evitar atribuir o trabalho inteiro a vários países.
- Os principais parceiros do Brasil em publicações conjuntas incluem União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e Canadá. A colaboração com a China, líder em volume de artigos, ainda aparece em estágio inicial no recorte apresentado.
- Entre países latino-americanos, Colômbia e Chile aparecem entre os parceiros citados pelos autores. O artigo sugere ampliar conexões internacionais, mas a contagem de publicações, sozinha, deixa de medir qualidade ou aplicação econômica das pesquisas.
Áreas de pesquisa com maior presença
- IA, aplicações de ciência da computação e software permaneceram entre as cinco principais áreas das publicações ligadas a instituições brasileiras durante a série. O levantamento mostra concentração em campos técnicos, segundo a classificação da base Scopus.
- A categoria de IA liderou até 2020, quando foi ultrapassada por aplicações de ciência da computação. O resultado indica mudança na composição dos artigos classificados, sem permitir concluir que uma disciplina perdeu capacidade científica.
- Em 2022, engenharia elétrica e eletrônica ocupou o terceiro lugar, e controle e sistemas, o oitavo. Os autores observam presença menor de medicina, ciências biológicas e agrícolas e ciências sociais em comparação com computação e sistemas.
- As áreas científicas da base podem se sobrepor: um artigo pode entrar em mais de uma categoria. Assim, as posições servem para caracterizar temas de pesquisa, sem formar uma divisão exclusiva da produção nacional.
Adoção observada nas empresas analisadas
- Na amostra formada apenas por empresas com área de TI, 33.38% usavam ao menos uma das aplicações de IA definidas pela TIC Empresas. O percentual pertence a esse recorte analítico, sem equivaler a uma taxa para o conjunto das empresas brasileiras.
- Internet das coisas aparecia em 34.19% das empresas do grupo; Big Data, em 17.31%. O estudo examina se a presença dessas tecnologias digitais acompanha a adoção de IA, além de observar outras características das firmas.
- Cerca de 77% das empresas analisadas declararam política de segurança digital. Robôs de serviços, impressão 3D e robôs industriais tinham frequências menores, de 3.39%, 5.58% e 5.84%, respectivamente.
- O questionário cobre aplicações como mineração de texto, reconhecimento de fala e imagem, aprendizado de máquina, automação de fluxos e movimentos autônomos. Basta um uso declarado para a empresa entrar na categoria de adotante.
Fatores associados à adoção
- No modelo estatístico, empresas que usavam internet das coisas tinham razão de chances de adoção de IA de 2.58 em comparação com as que deixavam de usar essa tecnologia, mantendo constantes as demais variáveis consideradas.
- Para Big Data, computação em nuvem e política de segurança digital, as razões de chances foram 2.12, 1.71 e 1.60. São associações estimadas no recorte estudado, sem equivaler a aumentos percentuais diretos de adoção.
- Fibra óptica, sistemas de gestão integrados e robôs de serviços ficaram sem associação estatisticamente significativa no modelo final. Porte maior também apontou chance superior, mas sem significância após considerar as tecnologias digitais.
- Os autores interpretam o conjunto como sinal de maturidade digital: sensores coletam dados, nuvem apoia armazenamento e processamento, e análise de grandes dados ajuda a extrair valor. A adoção de IA aparece ligada a essas capacidades empresariais.
Desempenho do modelo e implicações
- O modelo classificou corretamente 72.12% dos casos. Identificou com maior precisão as empresas sem IA, com especificidade de 89.36%, e teve sensibilidade de 37.71% para reconhecer as adotantes.
- Essa diferença indica cautela ao usar o modelo para localizar firmas que já empregam IA. O artigo também estimou uma versão probit, que apresentou sinais e significância semelhantes aos resultados principais.
- A conclusão propõe coordenar programas públicos de digitalização com políticas específicas de IA. Internet das coisas, nuvem, dados e segurança aparecem como componentes relacionados à adoção empresarial, em vez de ações isoladas.
- O trabalho reúne duas leituras distintas: posição do Brasil na produção científica e características de empresas que declararam IA. A primeira descreve publicações; a segunda estima associações na amostra, sem demonstrar transferência direta entre pesquisa e uso empresarial.
Limites
- As questões de novas tecnologias foram dirigidas somente a empresas com área de TI. Das 4,064 entrevistas originais, 2,328 entraram na análise, sem pesos amostrais; a taxa de adoção do grupo fica fora de uma estimativa nacional representativa.
- A TIC Empresas utilizada é de 2021. O estudo observa práticas empresariais daquele período e deixa em aberto mudanças posteriores, inclusive usos mais recentes de IA generativa.
- A regressão descreve associações e tem sensibilidade de 37.71% para identificar adotantes. Esses resultados impedem leitura causal e limitam previsões para firmas individuais.
- A análise de publicações depende da classificação da OECD.AI e da cobertura da Scopus. Os gráficos suplementares sustentam as comparações internacionais, mas o corpo do artigo oferece poucos valores absolutos para aferir diferenças entre países.
Estudo completo
Resumo produzido pelo TheAgent a partir do relatório original. Os números e achados pertencem ao publicador; consulte o estudo completo para os detalhes e a metodologia.
